Em França existe uma entidade designada Caisse d'Allocations Familiales (CAF) que concede subsídios aos estudantes estrangeiros para ajudar a pagar o aluguer de uma habitação. Porreiro,
vive la France!
Quando em Novembro último aluguei o nosso apartamento em Monterrier, fui imediatamente requerer o dito subsídio junto da dita CAF. Mas uma vez que a Ana ainda estava a trabalhar, fui obrigado a entregar uma cópia do seu boletim de salário desse mesmo mês.
Ora acontece que o dito boletim não está em francês (pior,
não é francês!), o que é um grande problema para a administração francesa (o que ainda assim é compreensível ...). Traduzido o boletim, toca a enviar a tradução de volta para a CAF, seguro de que a situação estaria finalmente regularizada, e de que iríamos em breve receber o tão desejado subsídio.
Na quinta-feira passada recebi uma missiva da CAF que rezava assim:
Pour la régularisation de votre dossier, vous voudrez bien nous fournir les renseignements ou documents suivants complétés et signés:
- le bulletin de salaire en retour: merci de faire préciser si les montants indiqués sont en euros.
Si ils ne sont pas en euros merci de faire convertir les montants.
Como? Enviaram-me uma carta só para me perguntar qual é a moeda de Portugal?
É certo que o dito boletim, como documento oficial que é, peca por não indicar a unidade monetária (um simples "valores em euros" teria chegado, como aliás eu aprendi a fazer no ensino secundário), mas caramba!
Para além de relevar uma enorme falta de cultura por parte de uma tal C.DEMEURE (o técnico responsável pelo nosso dossier), esta atitude é sintomática da administração francesa. Para quê parar para pensar um segundo? Para quê se dar ao trabalho de consultar a internet? Para quê telefonar ou enviar um email? Não é um documento francês? Não tem o aspecto do costume? Então toca a perder tempo a enviar uma carta.
Os funcionários públicos franceses são como os computadores: máquinas estúpidas mas eficientes que só fazem aquilo que lhes mandam fazer. Se o separador da unidades é um ponto quando deveria ser uma virgula ... erro! Crash!
Outra triste conclusão que retiro, não somente deste episódio, mas de inúmeros outros pequenos episódios semelhantes (
- alors, avez-vous une carte de séjour? - pardon, mais je n'ai pas besoin, je suis portugais. - ah, oui, le Portugal il fait partie de la Communauté Européenne, n'est-ce pas?), é que para a generalidade dos franceses, e ao contrário do que seria de esperar pela proximidade geográfica, Portugal é um país insigificante.
Ainda gostaria de saber, fosse eu americano ou inglês, se o dito técnico teria tido o desplante de enviar uma carta a perguntar qual a unidade monetária dos Estados Unidos, ou do Reino Unido...
J